Um dia ele chega, depois de muito tempo, te cumprimenta, diz sentir saudade, pergunta como ta indo sua vida. Diz que você está mais bonita, que seus cabelos cresceram e que seu sorriso está ainda mais charmoso. Você cumprimenta, mente dizendo também estar com saudade, diz como está sua vida, pergunta sobre a vida dele pra não parecer tão desinteressada, agradece os elogios.
Um dia você descobre que vê-lo vai se tornar uma rotina na sua vida, todos os dias, todas as semanas, a não ser que você mude seus horários, mas não, você não está disposta a isso. Vocês se cumprimentam, brincam, conversam. Pronto, um novo amigo. Isso é, um novo amigo para você, porque o fato dele ser homem não passa despercebido. Eu tenho sim, vários amigos homens hoje, mas admito que a maioria começou com um interesse da parte deles em me ter, e resistiu aos meus irredutíveis nãos.
Um dia ele vira para você e revela todo o seu interesse. Diz que te quer. Você diz não. Mas aí você descobre que ele é diferente de todos. Eu tive uma professora maravilhosa, que gostava de dizer sempre que homem tem déficit mental. Eu não acreditava muito nessa historia. Não, admito que tinha um pouco de pena, dó. Tadinhos, podiam ser mais imaturos, ignorantes, mas ter déficit mental? Talvez. Hoje eu acredito que alguns tem sim. Mas enfim. Você descobre que ele é diferente de todos, porque ele não te conhece o suficiente, pra saber que você tem dois tipos de não. Um não que significa “de forma alguma, em hipótese alguma, em ocasião alguma eu vou corresponder a sua vontade, ao seu querer.” E aquele seu outro não, que é sua arma secreta para instigar, seduzir, enfim, o famoso “cú doce”.
Um dia ele diz algo terrível. Diz estar apaixonado. Diz como se você tivesse culpa disso. Você se irrita. Você sabe que não, ele não está apaixonado, ele está apenas te pressionando, usando seu argumento mais chulo, pra tentar te desarmar, te pegar desprevenida te deixar em um devaneio e em meio deste, arrancar de você o tão desejado sim. Mas não, você saiu quase intacta dessa jogada baixa.
Um dia, aquele que vocês só aspiram coisas positivas, que você acorda às dez da manhã, com um friozinho de gelar a pontinha do nariz, toma um banho quentinho de meia hora, pra lavar todo o peso que colocam sobre você, e olha que é muito. Você senta em frente ao seu computador, deseja um bom dia pra sua vida virtual. Um dia, que tinha de tudo pra ser perfeito. Ele chega, conversa com você, e em um assunto descontraído, onde vocês falavam do tempo bom que tava fazendo, ele, muito oportunista, diz que te quer.Você ri. Admira sua persistência, mas ri. Digita um simples não, porque todas as formas mais criativas de poder dizê-lo se esgotaram, fecha a pagina, desliga o computador.
Um dia você cansa. Mas agradece. Agradece, porque essa é, foi, uma boa maneira de descobrir que o seu não, aquele que significa nunca, é muito mais forte e irredutível que um dia você sonhou que seria.
